domingo, 7 de novembro de 2010

Pense, logo exista

Ao longo dos tempos, passaram por este mundo várias mentes brilhantes, como físicos, matemáticos, filósofos, jornalistas, músicos, políticos, gurrilheiros e tudo mais. Buscando reconhecer as obras desses gênios, foi criado neste blog um espaço, que resgatará, pensamentos e pensadores ilustres que se perderam no tempo, ou que simplesmente não são valorizados e lembrados hoje em dia. Pois fique sabendo que se não fosse por muitos deles, a sociedade não estaria tão evoluída o quanto é hoje.

Em cada mês será selecionado um pensador e a cada semana serão abordados temas, como: um resumo da vida, grandes frases, trabalhos, teorias, mitos e até mesmo possíveis conspirações sobre o respectivo escolhido, buscando informar você sobre sua história.

Leia, pense, reflita, pois um pouco de cultura não faz mal à ninguém.

Pensador mensal: Platão

O mito do caverna

Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.

A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.

Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.

Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.

Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.

Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.

Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.

4 comentários:

  1. Cada vez mais acredito que a caverna não mais explica suficientemente a relação humana. Sendo uma leiga no assunto, talvez minha opinião não valha muito, mas o que quero dizer é que cada vez menos as pessoas passam a vida na caverna involuntariamente. Elas sabem de tudo o que acontece fora, têm plena consciência, mas abstêm-se, por comodidade.
    A pergunta é: o quão questionável é essa atitude?

    ResponderExcluir
  2. Hoje em dia ser alienado é praticamente opcional. Mas tem gente que ainda é alienada e não sabe... por ser alienada.

    ResponderExcluir
  3. sair da caverna sempre foi de livre escolha, a corrente que nos prende é a normalidade que ela se torna, é normal, é banal, está aqui, não tem o porque de sermos contra ela.

    ResponderExcluir
  4. na maioria das vezes, se a pessoa escolhe ser alienada é pq ela ainda não reconheceu a importancia de NÃo ser, então ela opta por continuar na caverna simplesmente pq ainda não conseguiu enxergar o mundo lá fora com as proporções certas. é uma ecolha feita sem o conhecimento necessario para ecolher

    ResponderExcluir